sexta-feira, 30 de maio de 2014

Seja Sombrinha Também !!!!!




Por Claudinei Calixto (o Tio Ney)


É mês junho, menos raios solares incidem na frondosa copa da amada Sibipiruna; outrora seu processo de alimentação privilegiado provocava uma sombra escura e envolvente aos sambistas ávidos por libertar da alma poesia e amor, porém, neste mês invernal, o que teremos será uma Sombrinha suave, mensageira da leveza e da cura, elementos mais do que necessários para todos aqueles que batalham.
A Sombrinha da Sibipiruna, este mês, servirá para nos cobrir com a eterna luz que emana do samba de Montgomery Ferreira Nunis, nascido em 30 de agosto de 1959, na ex-capitania hereditária de São Vicente, o nosso querido e mais do que familiar Sombrinha.
Todavia, o caráter hereditário na vida de Sombrinha não reside apenas nas terras primeiramente colonizadas nas quais nasceu, nem em seu musical código genético. Na verdade, seu pai realizava em casa inúmeras reuniões com os bambas da baixada santista, organizando rodas de choro e samba, incentivando e educando musicalmente todos aqueles que estavam ao seu redor. O que provavelmente fez o pequeno Monty criar desde inocente criança e como que por osmose, um vínculo com a harmonia e beleza, ligação que se estreitaria ainda mais após ganhar do pai,na fina flor da adolescência, seu primeiro violão sete cordas. Não é a toa que define a si próprio como “Apreciador nato de choro”.
A precocidade de seu talento logo transformaria a fecunda, mas provinciana São Vicente num lugar limitado para a franca expansão de seu samba. É então, como que guiado pelos “olhos do coração”, que se dirige aos dezoito anos, para o Rio de Janeiro, o seio do samba, levando consigo seu violão sete cordas e uma gravação profissional com Baden Powell.
Na cidade maravilhosa, Sombrinha que ganhou esse apelido em virtude de seu irmão “O Sombra”, sente-se ainda mais que à vontade. Torna-se mangueirense por opção, mas caciqueano de coração, não escondendo de ninguém que sua verdadeira escola de samba é o Cacique de Ramos. Será justamente pajelando e enfeitiçando todos os caciques, através de suas lindas composições, que Sombrinha fundará em 1.980, juntamente com Jorge Aragão, Bira, Ubirany, Neoci, Almir Guinetto e Sereno, O Grupo Fundo de Quintal, onde permaneceria por 14 anos. Dois anos após a fundação do grupo passa a ser integrante o homem com quem formaria uma das maiores duplas da música popular brasileira, Arlindo Cruz.
A criação do grupo foi parte integrante de seu gênio criador, pois o processo de criação possui para ele importância radical no ato de Ser humano, a criação seria como que a luz da verdadeira transformação do homem e, por extensão, da própria arte musical. No entanto, não nega de forma alguma que se encanta pela execução da boa música e sua reprodução, apenas reconhece que é a criação de algo novo que protagoniza as potencialidades do gênero humano. Não é por acaso que ganha por diversas vezes o prêmio Sharp como compositor, sendo três delas consecutivas, pois trata-se de um exímio inovador da arte.
Embora seja inegável a importância da música em sua vida, Sombrinha a considera apenas uma parte dela e não o todo. Dedica-se aos familiares e amigos, por vezes passa meses sem tocar nenhum instrumento, de fato, parece que a música o segue naturalmente de forma paralela pela mesma estrada existencial.
 Considera a música Seja Sambista Também, que compôs com o eterno parceiro Arlindo Cruz, um verdadeiro hino do samba. Quiçá sigamos o conselho de Sombrinha: Oxalá Sejamos todos sambistas também!

Fonte:

Entrevista com Sombrinha- Miscelânea para o programa Miscelânea: https://www.youtube.com/watch?v=cY4zxi9QWm8
Entrevista de Arlindo Cruz e Sombrinha no Programa do Jô parte 1: https://www.youtube.com/watch?v=6CnYVohEZRA
Entrevista de Arlindo Cruz e Sombrinha no Programa do Jô parte 2: https://www.youtube.com/watch?v=bpflrrP4WQE
Trecho da entrevista de Sombrinha para o programa Samba na Gamboa: https://www.youtube.com/watch?v=WGvwQ9fltAM
Programa Ensaio Cultura com Arlindo Cruz e Sombrinha: http://www.youtube.com/watch?v=AaYyVFTxuls


Por fim, o projeto de Samba Sibipiruna fará uma singela homenagem a Jair Rodrigues (através de meio de um minuto de silêncio) por conta do seu falecimento.


quarta-feira, 30 de abril de 2014

O Teu Nome NÃO Caiu no Esquecimento !!!!!




Paulo Benjamim de Oliveira (1901 – 1949), popularmente conhecido como Paulo da Portela, tem uma importância para o samba que perpassa seu pertencimento à agremiação carnavalesca da qual fundou juntamente com Antônio Caetano e Antônio Rufino.

Nascido no centro da cidade, mas “alijado” com sua família para região suburbana de Oswaldo Cruz em função da reforma urbana especulativa e elitista de Pereira Passos (qualquer semelhança não é mera coincidência), Paulo presenciou, naquele bairro pacato, de características interioranas, diversas formas de manifestações afro-culturais, formando-se conscientemente no padrão de sociabilidade traçado pelo seu povo.

Influenciado pelas rodas de samba e batucadas que aconteciam as regiões mais centrais do Rio de Janeiro, Paulo decidiu criar em Oswaldo Cruz, uma escola de samba, tal como o “Deixa Falar” do Estácio, que posteriormente passou a ser chamada de GRES Portela.             

Numa época em que a discriminação ao negro suburbano e à sua cultura era generalizada e violenta (qualquer semelhança também não é mera coincidência), a fundação de uma escola de samba no subúrbio representava uma tentativa consciente de contrapor a cultura de seu povo ao preconceito estabelecido.

Paulo carregava o sonho de ver o negro e o suburbano inserido na sociedade de classes. Queria que esta mesma sociedade os visse não como marginais, mas como homens e mulheres dignos, do ponto de vista de sua cultura e de seu comportamento.

Por estes motivos sua conduta perpassou sua agremiação. Exigia do sambista e do malandro postura adequada, ao mesmo tempo que cobrava da sociedade e do poder público a valorização da cultura popular. Figura carismática, porém de postura firme, Paulo foi daqueles sambista que não alienou a arte do samba do contexto social e econômico precário em que ele surgiu. Ele politizou portanto (para além do partidarismo formal, do qual também fazia parte) o debate sobre a cultura popular, o contexto social e seus realizadores (os artistas, os sambistas e o subúrbio).

Desde cedo Paulo foi reconhecido pelos grandes sambista da época, tal como Cartola, um pioneiro. Vejo Paulo da Portela como o Primeiro Militante do Samba, o primeiro que vestiu a camisa de algo que está para além das disputas carnavalescas, para além dos requisitos financeiros necessários à sobrevivência de qualquer músico (independentemente de ser popular, profissional ou amador). Vestiu a camisa de uma causa, de um povo, de uma cultura, e pagou por isso.

Relegado ao ostracismo, indiretamente expulso de sua escola, Paulo da Portela viveu os últimos anos de sua vida de forma melancólica, completamente esquecido. Mas sua luta não foi em vão. Muitos Quilombos do Samba continuam se erguendo diariamente (e muitos não relacionados ao samba também, influenciados direta ou indiretamente por sua postura).

O teu legado ficou para a história e o teu nome NÃO caiu no esquecimento !!!!!

E é com muita honra que o Projeto de Samba Sibipiruna fará uma singela homenagem a este grande homem neste domingo, dia 04/05, a partir das 15 horas, no Bar Esquina 108 (Rua Julia Leite de Barros, 108). 

Links e fontes:

Paulo da Portela: Um Herói Civilizador (Edson Farias)
file:///C:/Temp/RCRH-2006-237.pdf

http://pt.wikipedia.org/wiki/Paulo_da_Portela

Documentário:
https://www.youtube.com/watch?v=nkTACE401wo

segunda-feira, 31 de março de 2014

É proibido sonhar? Então me deixe o direito de sambar !!!!





“ Ninguém sabe quem sou, também já não sei quem sou
Eu bem sei que o sofrimento de mim até se cansou
Na imitação da vida, ninguém vai me superar...
...Dona Solução, reveja meu caso com atenção...”
                                                                                                                               Imitação - Batatinha

por Rafael Yasuda

Neste mês o homenageado é gente boa. Temos a alegria de cantar as composições de Oscar da penha, conhecido como Batatinha. Nascido na cidade de Salvador, começou a compor e a cantar aos 15 anos quando ouviu pela primeira vez um samba do compositor carioca Vassourinha. No início da década de 1940, trabalhou como office-boy do Diário de Notícias. Nessa época, o jornalista e compositor Antônio Maria foi a Salvador para dirigir a Rádio Sociedade da Bahia. Batatinha procurou-o e apresentou-lhe seu primeiro samba, intitulado "Inventor do trabalho". Conhecido como Vassourinha, devido à influência do sambista carioca, teve o apelido trocado pelo próprio Antônio Maria, na apresentação de um programa de rádio, para Batatinha - gíria que na época significava "gente boa".

Estudou música com o maestro Santo Amaro de 1946 a 1947, mas gostava de batucar em caixa de fósforos, que usava também para compor. Certa vez o compositor e amigo Riachão, assim o definiu: "Uma cabeça cheia de cabelos brancos e cada fio uma nota musical". Com Diplomacia (1997) revelando o Samba da Bahia (1975) compondo e tecendo a Toalha da Saudade (1976), Batatinha e Companhia Limitada (1969) mostrou que temos em Batatinha, 50 anos de samba (1993) e muito mais…

 Suas músicas foram gravadas por muitos artistas como Chico Buarque, Jamelão,Caetano Veloso,Gilberto Gil entre outros. Sobre Batatinha escreveu Maria Bethânia: "Gosto de Batatinha, como gosto da luz da lua, do som do tamborim, do samba em tom menor, das coisas tristes e simples. Batatinha pra mim, é uma pessoa rara, um artista". Paulinho da Viola, também escreveu sobre o compositor no encarte da segunda tiragem, em 1975, do LP "Samba da Bahia", do qual destaco o trecho: "Olá Batata, qual a novidade? E Batatinha, um simples cidadão de Salvador, gráfico, casado, pai de muitos filhos, alisa a cabeça branca e sorri. Apanha a caixa de fósforos e desfia seu rosário - é assim que se diz no samba - para a felicidade daqueles que tiveram o privilégio de estar perto dele e conhecê-lo. Paulinho ainda o coloca ao lado de  Nélson Cavaquinho e Cartola, no nível da poesia popular mais pura. “Digno representante do samba mais verdadeiro que conheço".

Batatinha também compôs o samba “ Bossa e capoeira “ e foi o primeiro a introduzir o tema da capoeira na música popular. Depois dele, esse tema foi imortalizado por outros nomes (mais conhecidos) que ficaram com todo reconhecimento. Tendo consciência do ineditismo do trabalho que empreitava Batatinha diz: “Preciso falar sobre isso...quero ser reconhecido como pioneiro”.¹

O Projeto de Samba Sibipiruna tem o imenso prazer de homenagear esse poeta do samba Bahiano.Reconhecido e colocado num patamar superior por inúmeros bambas que o projeto já homenageou em outras edições ,tais como, Paulinho da Viola que coloca a obra de Batatinha ao lado de Cartola e Nelson Cavaquinho. Batatinha,antes de tudo,um pai de família de muitos filhos e trabalhador que batalhou por toda sua vida e morreu em 1997 sem receber o reconhecimento merecido por seu trabalho como poeta sambista. Então no dia 06 de abril  às 15h30 o Sibipiruna vai homenagear o poeta bahiano cantando alguns de seus sambas, porque como ele dizia:

“ É proibido sonhar
então me deixe o direito de sambar... “
Direito de Sambar - Batatinha


Fontes:
¹ Trecho retirado da coleção MPB “ sambas da bahia “ na faixa “bossa e capoeira “ onde há depoimentos de Batatinha.

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Sibipiruna de Carnaval



 E VAMOS DE MARCHINHA, MÚSICA DE CARNAVAL!

Por Carla Vizeu

“Alalaô, ô, ô,ô, ô, ô,ô!
Mas que calor, ô,ô, ô,ô,ô,ô!
Neste domingo eu vou pra Sibipiruna
Cantar umas marchinhas divertidas com a turma!”



No primeiro domingo de março é carnaval e a roda mais querida entra no reinado de Momo fazendo uma folia com marchinhas! , Teremos as marchinhas como homenageadas na edição especial de carnaval, mais curta, que terminará “emendada” com a concentração do Bloco Cultural União Altaneira.
Falamos bastante de samba, mas o que podemos falar das marchinhas?
A marchinha é um gênero musical de compasso binário, raramente quaternário, e com o primeiro tempo fortemente acentuado. Gênero que está intimamente relacionado ao carnaval. Tanto que contam os registros históricos que a primeira música feita especificamente pro carnaval foi uma marcha. Trata-se de Abre-alas, da famosa pianista e compositora Chiquinha Gonzaga, feita para o cortejo do Rancho Rosa de Ouro, que com ela venceu o carnaval de 1899. E nós a ouvimos todo carnaval, até hoje!
José Ramos Tinhorão disse que “os gêneros de música urbana reconhecidos como mais autenticamente cariocas – a marcha e o samba – surgiram da necessidade de um ritmo para a desordem do carnaval.” Ou seja, para acompanhar as mudanças que ocorriam no carnaval, como as que os Ranchos fizeram quando passaram a adotar uma formação de procissão em seu desfile, foram criados ritmos que fossem mais adequados à caminhada dos foliões.
Segundo o Dicionário Musical Brasileiro, "No Brasil a marcha popularizou-se nos blocos carnavalescos como marcha-rancho e marcha de salão e segue a fórmula introdução instrumental e estrofe-refrão.” Apesar de datar de fins do século XIX, a marcha se consolidou enquanto gênero musical (e carnavalesco) em meados da década de 1920, desenvolvendo-se como gênero característico da classe média carioca. Sofreu em seu ritmo influências externas que vão desde o one-step ao charleston norte americano, passando pela marcha portuguesa, além de incorporar boa parte do lirismo e do sentimentalismo de nossa modinha. Jocosas e espirituosas, com sátiras políticas e sociais, as marchinhas foram se popularizando mais e mais.
Em 1930, a Casa Edison organizou seu primeiro concurso de músicas carnavalescas. Venceu Ary Barroso, com a marcha "Dá nela", que o lançaria no cenário nacional. A partir de 1932, a prefeitura do Rio de Janeiro instituiu um concurso oficial de músicas para o carnaval, e a marchinha viu sua popularidade crescer. Na década de 1930, foram se tornando mais populares, no que ajudava a divulgação feita pelo rádio e pelo cinema. Alguns autores destacaram-se como compositores de marchinhas, tais como Lamartine Babo, Nássara, João de Barro, o Braguinha, Wilson Batista, Haroldo Lobo e Alberto Ribeiro. O mesmo se deu com diversos cantores e cantoras que se consagraram, interpretando marchas carnavalescas, como foi o caso de Carmen Miranda, Aurora Miranda, Dircinha Batista, Linda Batista, Emilinha Borba, Marlene, Francisco Alves, Orlando Silva, Silvio Caldas e muitos outros.
Entre as décadas de 1930 e 1950, muitas marchinhas tiveram destaque: Taí, de Joubert de Carvalho (e primeiro grande sucesso de Carmen Miranda); Mamãe eu quero, de Jararaca e Vicente Paiva; O teu cabelo não nega, dos Irmãos Valença e Lamartine Babo; Linda morena, de Lamartine Babo; A jardineira, de Benedito Lacerda e Humberto Porto; Linda lourinha, de Braguinha (anos 30); Ala-la-ô, de Nássara e Haroldo Lobo; Aurora, de Mário Lago e Roberto Roberti; Eu brinco, de Pedro Caetano e Claudionor Cruz (anos 40); Touradas em Madri, Chiquita bacana e Yes, nós temos banana, de Braguinha e João de Barro; Tem nego bebo aí, de Mirabeau e Airton Amorim; Cachaça, de Mirabeau, Lúcio de Castro e Héber Lobato; Saca-rolha, de Zé da Zilda, Zilda do Zé e Waldir Machado; Sassaricando, de Luis Antônio, Jota Junior e Oldemar Magalhães (anos 50). Quem nunca ouviu sequer uma destas?... Sinal de que seguiram cantadas pelos foliões ao longo de décadas...
As décadas de 1960, 70 foram uma fase de declínio das marchinhas carnavalescas, muito embora tenhamos muitos clássicos desta época como: Me dá um dinheiro aí, de Homero Ferreira, Glauco Ferreira e Ivan Ferreira; Olha a cabeleira do Zezé, de João Roberto Kelly e Roberto Faissal; Mulata bossa nova, de João Roberto Kelly; De marré marré, de Raul Sampaio, Índio quer apito, de Haroldo Lobo e Milton de Oliveira, A marcha do remador, de Antônio Almeida e Oldemar Magalhães, Máscara negra, de Zé Kéti e Pereira Matos (anos 60); A pipa do vovô, de Ruth Amaral, e Maria Sapatão lançada pelo comunicador Chacrinha.
É que o carnaval de rua também entrara em declínio na década de 1970, e isto prejudicou imensamente a marchinha. Mesmo assim, ela apareceu uma vez ou outra, a partir de alguns concursos carnavalescos, ou então, através de regravações como foi o caso de "Festa do interior", de Braguinha e Alberto Ribeiro, gravada inicialmente por Carmen Miranda em 1937, e relançada com grande êxito por Gal Costa em 1983.
Ao mesmo tempo em que houve um declínio da marchinha carnavalesca, também pode-se perceber a influência deste gênero sobre vários compositores “não-carnavalescos” como João Bosco (Rancho da Goiabada) e Chico Buarque (Noite dos mascarados, Boi Voador, Rio 42) ou no repertório de  cantoras como Clara Nunes (Estrela Guia, de Sivuca e Paulo César Pinheiro).
O carnaval de rua no Rio de Janeiro retoma sua vitalidade no começo do século atual e com isso houve chance pra revitalização das marchinhas também, através de concursos como o da Fundição Progresso, que em 2006  instituiu o Concurso Nacional de Marchinhas Carnavalescas. Isto alimentou a produção de novas marchinhas e ano a ano cresceu o número de inscritos, chegando a 947 em 2011 no concurso citado. É interessante perceber como pouco mudou o gênero no aspecto musical, se comparado a outro gênero carnavalesco, como o samba-enredo, por exemplo...
As marchinhas seguem eternas em nossos corações! É um repertório querido por quase todo folião... E nosso próximo encontro é dia 02 de março, às 15h, para relembrar as marchinhas carnavalescas à sombra da Sibipiruna, animando o domingo de carnaval!

Fonte:
1- http://www.dicionariompb.com.br/marcha-carnavalesca/dados-artisticos
2- Pequena história da Música Popular  - José Ramos Tinhorão (Ed. Vozes, 1974)

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Elizabeth Santos Leal de Carvalho


Por Maíra Guedes


Elizabeth Santos Leal de Carvalho, nossa Beth Carvalho, nasceu no Rio de Janeiro, no dia 5 de maio de 1946.
Dançou por toda a infância e sonhava em ser bailarina. Mas foi nas reuniões musicais em casa, com amigos de seu pai, que a música entrou de vez em seu coração, e o desejo de cantar se transformou em uma vida dedicada a entoar grandes sambas, em sua voz firme e imperiosa.
Grande intérprete de diversos compositores, era a preferida de Cartola, outro mangueirense de alma e coração.
No começo dos anos 60 com a Bossa nova, onde compôs algumas canções, abriu alas para mais quarenta décadas de grandes sucessos em sua voz através do samba.
Já cantou em diversas cidades ao redor do mundo todo, e já teve sua voz tocada no espaço, em “Coisinha do Pai”, em 1997. E também ficou, por conta de uma lesão, sem cantar, em 2009, e se recuperou depois de um ano e meio, retornando aos palcos com grande alegria.
Mesmo já tendo passado por diversos palcos importantes do mundo, Beth, inquieta, mantém sua essência de quem sabe e conhece a fertilidade dos compositores do povo. Onde estão, onde cantam, como cantam, como tocam. Sua paixão.
Já descobriu e apadrinhou muitos novos compositores, muitos de grande sucesso já, como por exemplo, Zeca Pagodinho.
Me lembro de uma vez, conhecer uma das produtoras da Beth, que me contou que para gravar um novo disco, Beth faz questão de recolher diversas composições de novos compositores e também de compositores consagrados. Escolhe algumas e grava em sua voz, e depois reúne um grupo grande de pessoas, médicos, advogados, funcionárias do lar, balconistas,etc, que por fim, escutam e pontuam cada samba, sem saber o seu compositor. Beth grava seu CD definitivo com as mais pontuadas.
Acho que o fato de ser apaixonada pela roda, é que a faz ter a sensibilidade de compreender que o samba não é estático, deve girar e conhecer o seu povo, o que ele faz, pensa, sente. Por isso, Beth continua sempre atual.
Dos seus 33 discos gravados, o 25º, “Pagode de mesa ao vivo”, traduz exatamente isso, o que Beth mais gosta de fazer. Reunir em uma mesa seus sambistas queridos e fazer a roda girar!
Pensando na força desta mulher, particularmente, me inspiro e suspiro um sorriso forte e alegre, com uma certeza no coração; não há beleza maior do que uma reunião com bambas, poetas e batuqueiros, que entoam sons, novas letras e ritmos que acompanham nossa pulsação.

Penso no nosso Sibipiruna, e como é lindo vê-lo crescer!

Que Beth encante o nosso lindo domingo, 2 de fevereiro, dia de Iemanjá, minha mãe sagrada!

E nos lave a alma com lindas ondas de alegria!

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Encontros e Despedidas

Em 2013 o Projeto de Samba Sibipiruna presenciou momentos marcantes. Foram muitas rodas de samba, muitos homenagens, muitos sambas autorais de altíssima qualidade, muitos momentos de alegria, descontração, amizade e muita energia exalada dos corpos e dos instrumentos em movimento.

Tivemos o prazer de  homenagear grandes nomes do samba tais como Jovelina Perola Negra, Leci Brandao, Pixinguinha, Nelson Cavaquinho,  Paulo Cesar Pinheiro, Dorival, Jorge Aragão, Vinicius de Moraes, Mussum e os Originais do Samba. Também tivemos a honra de ter presente em nossa roda grandes sambistas da cidade além de grandes nomes do samba que não necessariamente tem o seu devido reconhecimento tais como o Seu Socrates dos Originais do Samba e o Mestre Toinho Melodia, da velha guarda do samba paulista.

Entre encontros e despedidas, 2013 vai ficar marcado também pelo descanso de um dos grandes nomes do samba raiz de campinas, Helder Bitencourt. Surdista de primeira, o nosso malandro HB deixará saudades a todos aqueles que tiveram o prazer e a honra de o conhecer e trocar momentos de conversas e alegrias.  A ele, a Sibipiruna  respeitosamente deixa sua homenagem e gratidão por agraciar nossas primeiras rodas de samba – ainda embrionária – com seus versos de primeira.



E que 2014 venha com muita energia para conseguirmos caminhar adiante na longa estrada que faz com que nossas vidas tenham sentido. Dificuldades virão!!!! Que tenhamos coragem para encarar os problemas de frente e agarrar a felicidade com unhas e dentes. Melhor ainda se regado a muito samba e alegria, pois, como diz mestre Candeia, “enquanto se luta se samba também ...”

Ate 05/01/2014 no mesmo local e no mesmo horário de sempre.   

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Mussum, Sócrates e os Originais do Samba


A primeira imagem que temos quando lembramos de Mussum, é de um dos integrantes mais engraçados do quarteto de comediantes que alegrava a nossa infância todo o final de domingo com peripécias e picardias, os Trapalhões. Poucos sabem, no entanto, que esse integrante negro, que representava a síntese irônica da malandragem suburbana, que tinha um linguajar próprio e adorava um “mé”, foi um dos primeiros integrantes de um dos grupos de samba mais famosos da década de 1970 e 1980, os “Originais do Samba”.

Nascido em 1941, no Morro da Cachoeirinha (Zona Norte do Rio de Janeiro), Antônio Carlos Bernardes Gomes (Mussum), antes de ser reconhecido artisticamente, foi ajustador mecânico, trabalhando por oito anos na Força Aérea Brasileira. Neste período aproveitou para participar da Caravana Cultural da Música de Carlos Machado.



Por sua vez, história do grupo “Os Originais do Samba” (anteriormente “Os Sete Modernos do Samba”) tem como origem a agregação de diversos ritmistas oriundos de diversas escolas de samba (inclusive Mussum). Depois de passar um período de ostracismo no Rio de Janeiro e no México, “Os Originais do Samba” passou a deslanchar nos últimos anos da década de 1960 em São Paulo, caracterizados pelo estilo particular de canto coral, vestimentas e uma leve dose de ironia em suas canções e comportamentos. Em 1968 acompanharam Elis Regina na apresentação da música vencedora da I Bienal do Samba, “Lapinha”, de Baden Powell e P.C. Pinheiro. Em 1969 o grupo “estourou” nacionalmente com a música “Cadê Teresa”, de Jorge Ben, tornando-se, a partir de então, um dos principais grupos de samba do país.

O comportamento irônico e engraçado esbanjado nas falas e atitudes de Mussum (apelido dado por Grande Otelo) atraiu a atenção de Wilton Franco, convidando-o a participar do grupo humorístico os Trapalhões ainda em 1969. Mussum dividiu a atividade de músico e humorista até o grupo começar a se apresentar na Rede Globo, ano em que deixou os “Originais do Samba”, seguindo uma carreira musical solo, com três álbuns gravados (“Água Benta” de 1978; “Descobrimento do Brasil”, 1980; e “Because Forever” de 1986).



Já o grupo “Os Originais do Samba” (grupo existente até os dias atuais) passou por diversas reformulações, tornando-se, no entanto, uma profunda referência estética dentro do mundo do samba, seja do ponto de vista rítmico, seja do ponto de melódico. Muitos grupos de samba-rock se inspiraram na estrutura e na dinâmica musical do grupo.

É importante frisar que dos integrantes da primeira formação (Bigode, Rubão, Lelei, Mussum, Chiquinho e Bidi) apenas o Bigode está vivo, participando ativamente das apresentações do grupo.
 Mussum, infelizmente, partiu muito cedo, em julho de 1994, aos 53 anos, deixando um legado artístico e cultural sui generis, constantemente relembrado e revivido pelas velhas e novas gerações.

Dentre outros ex-integrantes, queremos chamar a atenção especial para Francisco de Assis Silva Pereira, Sócrates, originário da segunda formação do grupo. Sócrates foi um grande sambista, além de violonista e compositor. Nascido em 1951, seu talento lhe rendeu mais de 500 composições e 200 canções gravadas por diversos artistas tais como Mato Grosso e Mathias, Paulo Sérgio, Carmem Silva, Ângelo Máximo, Nilton César, Os Originais do Samba, e outros, tendo um disco gravado em 1978, conhecido como “O Guitarreiro”.



Sócrates permaneceu no grupo “Os Originais do Samba” de 1993 a 2000, quando deixou o grupo por problemas de saúde. Ele também emplacou alguns sucessos tais como “Vamos decidir”, “Deixa eu poder te amar”, “Valeu”, “De corpo e alma”, “Indignado”. Hoje em dia, assim como tantos outros sambista e artistas brasileiros, Sócrates busca reativar a sua carreira musical através do reconhecimento do seu trabalho pelas diversas comunidades ao redor do Brasil.

Nada mais justo que o Projeto de Samba Sibipiruna homenageie todos aqueles que ajudaram a construir um dos grupos mais importantes do Brasil, em especial Mussum e Sócrates.

É com muito orgulho e respeito que convidamos a todos a presenciar a participação de Sócrates em nossa humilde roda. O convite está feito! Dia 01/12/2013, véspera do Dia Nacional do Samba, no Bar Esquina 108 (Rua Julia Leite de Barros, 108), a partir das 15 horas.