quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Sibipiruna de Carnaval



 E VAMOS DE MARCHINHA, MÚSICA DE CARNAVAL!

Por Carla Vizeu

“Alalaô, ô, ô,ô, ô, ô,ô!
Mas que calor, ô,ô, ô,ô,ô,ô!
Neste domingo eu vou pra Sibipiruna
Cantar umas marchinhas divertidas com a turma!”



No primeiro domingo de março é carnaval e a roda mais querida entra no reinado de Momo fazendo uma folia com marchinhas! , Teremos as marchinhas como homenageadas na edição especial de carnaval, mais curta, que terminará “emendada” com a concentração do Bloco Cultural União Altaneira.
Falamos bastante de samba, mas o que podemos falar das marchinhas?
A marchinha é um gênero musical de compasso binário, raramente quaternário, e com o primeiro tempo fortemente acentuado. Gênero que está intimamente relacionado ao carnaval. Tanto que contam os registros históricos que a primeira música feita especificamente pro carnaval foi uma marcha. Trata-se de Abre-alas, da famosa pianista e compositora Chiquinha Gonzaga, feita para o cortejo do Rancho Rosa de Ouro, que com ela venceu o carnaval de 1899. E nós a ouvimos todo carnaval, até hoje!
José Ramos Tinhorão disse que “os gêneros de música urbana reconhecidos como mais autenticamente cariocas – a marcha e o samba – surgiram da necessidade de um ritmo para a desordem do carnaval.” Ou seja, para acompanhar as mudanças que ocorriam no carnaval, como as que os Ranchos fizeram quando passaram a adotar uma formação de procissão em seu desfile, foram criados ritmos que fossem mais adequados à caminhada dos foliões.
Segundo o Dicionário Musical Brasileiro, "No Brasil a marcha popularizou-se nos blocos carnavalescos como marcha-rancho e marcha de salão e segue a fórmula introdução instrumental e estrofe-refrão.” Apesar de datar de fins do século XIX, a marcha se consolidou enquanto gênero musical (e carnavalesco) em meados da década de 1920, desenvolvendo-se como gênero característico da classe média carioca. Sofreu em seu ritmo influências externas que vão desde o one-step ao charleston norte americano, passando pela marcha portuguesa, além de incorporar boa parte do lirismo e do sentimentalismo de nossa modinha. Jocosas e espirituosas, com sátiras políticas e sociais, as marchinhas foram se popularizando mais e mais.
Em 1930, a Casa Edison organizou seu primeiro concurso de músicas carnavalescas. Venceu Ary Barroso, com a marcha "Dá nela", que o lançaria no cenário nacional. A partir de 1932, a prefeitura do Rio de Janeiro instituiu um concurso oficial de músicas para o carnaval, e a marchinha viu sua popularidade crescer. Na década de 1930, foram se tornando mais populares, no que ajudava a divulgação feita pelo rádio e pelo cinema. Alguns autores destacaram-se como compositores de marchinhas, tais como Lamartine Babo, Nássara, João de Barro, o Braguinha, Wilson Batista, Haroldo Lobo e Alberto Ribeiro. O mesmo se deu com diversos cantores e cantoras que se consagraram, interpretando marchas carnavalescas, como foi o caso de Carmen Miranda, Aurora Miranda, Dircinha Batista, Linda Batista, Emilinha Borba, Marlene, Francisco Alves, Orlando Silva, Silvio Caldas e muitos outros.
Entre as décadas de 1930 e 1950, muitas marchinhas tiveram destaque: Taí, de Joubert de Carvalho (e primeiro grande sucesso de Carmen Miranda); Mamãe eu quero, de Jararaca e Vicente Paiva; O teu cabelo não nega, dos Irmãos Valença e Lamartine Babo; Linda morena, de Lamartine Babo; A jardineira, de Benedito Lacerda e Humberto Porto; Linda lourinha, de Braguinha (anos 30); Ala-la-ô, de Nássara e Haroldo Lobo; Aurora, de Mário Lago e Roberto Roberti; Eu brinco, de Pedro Caetano e Claudionor Cruz (anos 40); Touradas em Madri, Chiquita bacana e Yes, nós temos banana, de Braguinha e João de Barro; Tem nego bebo aí, de Mirabeau e Airton Amorim; Cachaça, de Mirabeau, Lúcio de Castro e Héber Lobato; Saca-rolha, de Zé da Zilda, Zilda do Zé e Waldir Machado; Sassaricando, de Luis Antônio, Jota Junior e Oldemar Magalhães (anos 50). Quem nunca ouviu sequer uma destas?... Sinal de que seguiram cantadas pelos foliões ao longo de décadas...
As décadas de 1960, 70 foram uma fase de declínio das marchinhas carnavalescas, muito embora tenhamos muitos clássicos desta época como: Me dá um dinheiro aí, de Homero Ferreira, Glauco Ferreira e Ivan Ferreira; Olha a cabeleira do Zezé, de João Roberto Kelly e Roberto Faissal; Mulata bossa nova, de João Roberto Kelly; De marré marré, de Raul Sampaio, Índio quer apito, de Haroldo Lobo e Milton de Oliveira, A marcha do remador, de Antônio Almeida e Oldemar Magalhães, Máscara negra, de Zé Kéti e Pereira Matos (anos 60); A pipa do vovô, de Ruth Amaral, e Maria Sapatão lançada pelo comunicador Chacrinha.
É que o carnaval de rua também entrara em declínio na década de 1970, e isto prejudicou imensamente a marchinha. Mesmo assim, ela apareceu uma vez ou outra, a partir de alguns concursos carnavalescos, ou então, através de regravações como foi o caso de "Festa do interior", de Braguinha e Alberto Ribeiro, gravada inicialmente por Carmen Miranda em 1937, e relançada com grande êxito por Gal Costa em 1983.
Ao mesmo tempo em que houve um declínio da marchinha carnavalesca, também pode-se perceber a influência deste gênero sobre vários compositores “não-carnavalescos” como João Bosco (Rancho da Goiabada) e Chico Buarque (Noite dos mascarados, Boi Voador, Rio 42) ou no repertório de  cantoras como Clara Nunes (Estrela Guia, de Sivuca e Paulo César Pinheiro).
O carnaval de rua no Rio de Janeiro retoma sua vitalidade no começo do século atual e com isso houve chance pra revitalização das marchinhas também, através de concursos como o da Fundição Progresso, que em 2006  instituiu o Concurso Nacional de Marchinhas Carnavalescas. Isto alimentou a produção de novas marchinhas e ano a ano cresceu o número de inscritos, chegando a 947 em 2011 no concurso citado. É interessante perceber como pouco mudou o gênero no aspecto musical, se comparado a outro gênero carnavalesco, como o samba-enredo, por exemplo...
As marchinhas seguem eternas em nossos corações! É um repertório querido por quase todo folião... E nosso próximo encontro é dia 02 de março, às 15h, para relembrar as marchinhas carnavalescas à sombra da Sibipiruna, animando o domingo de carnaval!

Fonte:
1- http://www.dicionariompb.com.br/marcha-carnavalesca/dados-artisticos
2- Pequena história da Música Popular  - José Ramos Tinhorão (Ed. Vozes, 1974)

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Elizabeth Santos Leal de Carvalho


Por Maíra Guedes


Elizabeth Santos Leal de Carvalho, nossa Beth Carvalho, nasceu no Rio de Janeiro, no dia 5 de maio de 1946.
Dançou por toda a infância e sonhava em ser bailarina. Mas foi nas reuniões musicais em casa, com amigos de seu pai, que a música entrou de vez em seu coração, e o desejo de cantar se transformou em uma vida dedicada a entoar grandes sambas, em sua voz firme e imperiosa.
Grande intérprete de diversos compositores, era a preferida de Cartola, outro mangueirense de alma e coração.
No começo dos anos 60 com a Bossa nova, onde compôs algumas canções, abriu alas para mais quarenta décadas de grandes sucessos em sua voz através do samba.
Já cantou em diversas cidades ao redor do mundo todo, e já teve sua voz tocada no espaço, em “Coisinha do Pai”, em 1997. E também ficou, por conta de uma lesão, sem cantar, em 2009, e se recuperou depois de um ano e meio, retornando aos palcos com grande alegria.
Mesmo já tendo passado por diversos palcos importantes do mundo, Beth, inquieta, mantém sua essência de quem sabe e conhece a fertilidade dos compositores do povo. Onde estão, onde cantam, como cantam, como tocam. Sua paixão.
Já descobriu e apadrinhou muitos novos compositores, muitos de grande sucesso já, como por exemplo, Zeca Pagodinho.
Me lembro de uma vez, conhecer uma das produtoras da Beth, que me contou que para gravar um novo disco, Beth faz questão de recolher diversas composições de novos compositores e também de compositores consagrados. Escolhe algumas e grava em sua voz, e depois reúne um grupo grande de pessoas, médicos, advogados, funcionárias do lar, balconistas,etc, que por fim, escutam e pontuam cada samba, sem saber o seu compositor. Beth grava seu CD definitivo com as mais pontuadas.
Acho que o fato de ser apaixonada pela roda, é que a faz ter a sensibilidade de compreender que o samba não é estático, deve girar e conhecer o seu povo, o que ele faz, pensa, sente. Por isso, Beth continua sempre atual.
Dos seus 33 discos gravados, o 25º, “Pagode de mesa ao vivo”, traduz exatamente isso, o que Beth mais gosta de fazer. Reunir em uma mesa seus sambistas queridos e fazer a roda girar!
Pensando na força desta mulher, particularmente, me inspiro e suspiro um sorriso forte e alegre, com uma certeza no coração; não há beleza maior do que uma reunião com bambas, poetas e batuqueiros, que entoam sons, novas letras e ritmos que acompanham nossa pulsação.

Penso no nosso Sibipiruna, e como é lindo vê-lo crescer!

Que Beth encante o nosso lindo domingo, 2 de fevereiro, dia de Iemanjá, minha mãe sagrada!

E nos lave a alma com lindas ondas de alegria!

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Encontros e Despedidas

Em 2013 o Projeto de Samba Sibipiruna presenciou momentos marcantes. Foram muitas rodas de samba, muitos homenagens, muitos sambas autorais de altíssima qualidade, muitos momentos de alegria, descontração, amizade e muita energia exalada dos corpos e dos instrumentos em movimento.

Tivemos o prazer de  homenagear grandes nomes do samba tais como Jovelina Perola Negra, Leci Brandao, Pixinguinha, Nelson Cavaquinho,  Paulo Cesar Pinheiro, Dorival, Jorge Aragão, Vinicius de Moraes, Mussum e os Originais do Samba. Também tivemos a honra de ter presente em nossa roda grandes sambistas da cidade além de grandes nomes do samba que não necessariamente tem o seu devido reconhecimento tais como o Seu Socrates dos Originais do Samba e o Mestre Toinho Melodia, da velha guarda do samba paulista.

Entre encontros e despedidas, 2013 vai ficar marcado também pelo descanso de um dos grandes nomes do samba raiz de campinas, Helder Bitencourt. Surdista de primeira, o nosso malandro HB deixará saudades a todos aqueles que tiveram o prazer e a honra de o conhecer e trocar momentos de conversas e alegrias.  A ele, a Sibipiruna  respeitosamente deixa sua homenagem e gratidão por agraciar nossas primeiras rodas de samba – ainda embrionária – com seus versos de primeira.



E que 2014 venha com muita energia para conseguirmos caminhar adiante na longa estrada que faz com que nossas vidas tenham sentido. Dificuldades virão!!!! Que tenhamos coragem para encarar os problemas de frente e agarrar a felicidade com unhas e dentes. Melhor ainda se regado a muito samba e alegria, pois, como diz mestre Candeia, “enquanto se luta se samba também ...”

Ate 05/01/2014 no mesmo local e no mesmo horário de sempre.   

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Mussum, Sócrates e os Originais do Samba


A primeira imagem que temos quando lembramos de Mussum, é de um dos integrantes mais engraçados do quarteto de comediantes que alegrava a nossa infância todo o final de domingo com peripécias e picardias, os Trapalhões. Poucos sabem, no entanto, que esse integrante negro, que representava a síntese irônica da malandragem suburbana, que tinha um linguajar próprio e adorava um “mé”, foi um dos primeiros integrantes de um dos grupos de samba mais famosos da década de 1970 e 1980, os “Originais do Samba”.

Nascido em 1941, no Morro da Cachoeirinha (Zona Norte do Rio de Janeiro), Antônio Carlos Bernardes Gomes (Mussum), antes de ser reconhecido artisticamente, foi ajustador mecânico, trabalhando por oito anos na Força Aérea Brasileira. Neste período aproveitou para participar da Caravana Cultural da Música de Carlos Machado.



Por sua vez, história do grupo “Os Originais do Samba” (anteriormente “Os Sete Modernos do Samba”) tem como origem a agregação de diversos ritmistas oriundos de diversas escolas de samba (inclusive Mussum). Depois de passar um período de ostracismo no Rio de Janeiro e no México, “Os Originais do Samba” passou a deslanchar nos últimos anos da década de 1960 em São Paulo, caracterizados pelo estilo particular de canto coral, vestimentas e uma leve dose de ironia em suas canções e comportamentos. Em 1968 acompanharam Elis Regina na apresentação da música vencedora da I Bienal do Samba, “Lapinha”, de Baden Powell e P.C. Pinheiro. Em 1969 o grupo “estourou” nacionalmente com a música “Cadê Teresa”, de Jorge Ben, tornando-se, a partir de então, um dos principais grupos de samba do país.

O comportamento irônico e engraçado esbanjado nas falas e atitudes de Mussum (apelido dado por Grande Otelo) atraiu a atenção de Wilton Franco, convidando-o a participar do grupo humorístico os Trapalhões ainda em 1969. Mussum dividiu a atividade de músico e humorista até o grupo começar a se apresentar na Rede Globo, ano em que deixou os “Originais do Samba”, seguindo uma carreira musical solo, com três álbuns gravados (“Água Benta” de 1978; “Descobrimento do Brasil”, 1980; e “Because Forever” de 1986).



Já o grupo “Os Originais do Samba” (grupo existente até os dias atuais) passou por diversas reformulações, tornando-se, no entanto, uma profunda referência estética dentro do mundo do samba, seja do ponto de vista rítmico, seja do ponto de melódico. Muitos grupos de samba-rock se inspiraram na estrutura e na dinâmica musical do grupo.

É importante frisar que dos integrantes da primeira formação (Bigode, Rubão, Lelei, Mussum, Chiquinho e Bidi) apenas o Bigode está vivo, participando ativamente das apresentações do grupo.
 Mussum, infelizmente, partiu muito cedo, em julho de 1994, aos 53 anos, deixando um legado artístico e cultural sui generis, constantemente relembrado e revivido pelas velhas e novas gerações.

Dentre outros ex-integrantes, queremos chamar a atenção especial para Francisco de Assis Silva Pereira, Sócrates, originário da segunda formação do grupo. Sócrates foi um grande sambista, além de violonista e compositor. Nascido em 1951, seu talento lhe rendeu mais de 500 composições e 200 canções gravadas por diversos artistas tais como Mato Grosso e Mathias, Paulo Sérgio, Carmem Silva, Ângelo Máximo, Nilton César, Os Originais do Samba, e outros, tendo um disco gravado em 1978, conhecido como “O Guitarreiro”.



Sócrates permaneceu no grupo “Os Originais do Samba” de 1993 a 2000, quando deixou o grupo por problemas de saúde. Ele também emplacou alguns sucessos tais como “Vamos decidir”, “Deixa eu poder te amar”, “Valeu”, “De corpo e alma”, “Indignado”. Hoje em dia, assim como tantos outros sambista e artistas brasileiros, Sócrates busca reativar a sua carreira musical através do reconhecimento do seu trabalho pelas diversas comunidades ao redor do Brasil.

Nada mais justo que o Projeto de Samba Sibipiruna homenageie todos aqueles que ajudaram a construir um dos grupos mais importantes do Brasil, em especial Mussum e Sócrates.

É com muito orgulho e respeito que convidamos a todos a presenciar a participação de Sócrates em nossa humilde roda. O convite está feito! Dia 01/12/2013, véspera do Dia Nacional do Samba, no Bar Esquina 108 (Rua Julia Leite de Barros, 108), a partir das 15 horas.

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Carta a Vinícius 2013

Por Thiago 'Peixe' Franco



Poeta meu Poeta Camarada,
 Poeta da Pesada do Pagode e do Perdão

Esse ano é de muitas homenagens e comemorações ao centenário do teu nascimento. Não que sejamos muito chegados nesses trem aí de protocolos, comendas, caviares e champagnes, mas já que é pra cantarolar umas canções e beber, não poderíamos estar de fora, né não?

Dentre as inumeráveis obras-primas que nos deixaste, escolhemos privilegiar as que imaginamos que combinam mais com o nosso sol escaldante de primavera-verão e com o tempero quente da Bahia que te encantaste com seus sabores e mitos. Enfim, umas musiquinhas que combinam mais com a batucada de nossa querida roda.

Lembraremos, claro, da bossa-nova e dos choros de flauta de Pixinguinha... Mas por falar em saudade, deixaremos aqueles versos dos bares de então – como que feitos com a própria lua – para nossas serestas pelas madrugadas adentro [Alô, povo Sibipirunense: assumamos esse agradável compromisso?!].

Nesse mais que perfeito domingo (que também é o dia do presente, por que não?) em que o teu Botafogo encara o calor de Goiânia comandado por um negro holandês (quem diria?), aqui nos cafundós do interiôrr de São Paulo – pra mor de tu morder a língua mais uma vez – estaremos reunidos de braços abertos em baixo de uma frondosa árvore (como aquelas que já moraram em nossos quintais) para beber, cantar e batucar a tua poesia que nos deu e nos dá tantos e tantos frutos.

Sem protocolos, sem comendas, sem caviar, sem champagne, nem gravata!

À benção, Poetinha, tu que também choraste em teus versos muitas das nossas dores de amor, Saravá!



Carta a Vinícius 2013

Por Thiago 'Peixe' Franco

Poeta meu Poeta Camarada,
 Poeta da Pesada do Pagode e do Perdão



Esse ano é de muitas homenagens e comemorações ao centenário do teu nascimento. Não que sejamos muito chegados nesses trem aí de protocolos, comendas, caviares e champagnes, mas já que é pra cantarolar umas canções e beber, não poderíamos estar de fora, né não?

Dentre as inumeráveis obras-primas que nos deixaste, escolhemos privilegiar as que imaginamos que combinam mais com o nosso sol escaldante de primavera-verão e com o tempero quente da Bahia que te encantaste com seus sabores e mitos. Enfim, umas musiquinhas que combinam mais com a batucada de nossa querida roda.

Lembraremos, claro, da bossa-nova e dos choros de flauta de Pixinguinha... Mas por falar em saudade, deixaremos aqueles versos dos bares de então – como que feitos com a própria lua – para nossas serestas pelas madrugadas adentro [Alô, povo Sibipirunense: assumamos esse agradável compromisso?!].

Nesse mais que perfeito domingo (que também é o dia do presente, por que não?) em que o teu Botafogo encara o calor de Goiânia comandado por um negro holandês (quem diria?), aqui nos cafundós do interiôrr de São Paulo – pra mor de tu morder a língua mais uma vez – estaremos reunidos de braços abertos em baixo de uma frondosa árvore (como aquelas que já moraram em nossos quintais) para beber, cantar e batucar a tua poesia que nos deu e nos dá tantos e tantos frutos.

Sem protocolos, sem comendas, sem caviar, sem champagne, nem gravata!


À benção, Poetinha, tu que também choraste em teus versos muitas das nossas dores de amor, Saravá!

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Dois Anos de Vida e Amizade !!!



Alguns não sabem, mas a roda de samba que acontece todo o primeiro domingo do mês no Esquina 108 é mais antiga do que o próprio Projeto de Samba Sibipiruna. Esta roda surgiu de um grupo de amigos que, em função do tempo e da distância, não tinham mais condições de se encontrarem para, através do samba, celebrarem as duas coisas mais importantes no mundo: a VIDA e a AMIZADE.
Tratava-se da necessidade de se criar no bairro onde a morávamos um espaço autêntico, alegre, aberto e de descontração para reencontrar e fortalecer os laços de camaradagem.

Neste sentido a roda de samba começou com a tentativa de agregar diversos grupos, personalidades e movimentos de samba da Região. Poderia citar como exemplo algumas pessoas Rafael Inácio Guilherme Fidelis (Casa Caiada), Ronaldo Gomes (Grupo Sem Tempo), Helder Bitencourt (Sinuca de Bico), Trovão Sambista, Família Pereira, Kurts Campos, Ramon, Chico Santana, Samuel Bussunda, Maíra Guedes, Diogo Nazareth, André “Tom”, Flávio Azevedo, André Lopes, Fernando “Sousa”, e alguns grupos e movimentos de samba tais como Saudosa Clotilde, Bateria Alcalina, União Altaneira, Pagode do Sousa, e assim por diante.

E como é de costume, alguns chegaram, outros se afastaram, alguns gostaram da ideia, outros teceram reticências. Tudo muito normal e tranquilo. Mas independentemente disso, o fato é que a roda de samba se tornou um projeto de samba e este projeto foi crescendo paulatinamente, a cada mês. Mais pessoas foram chegando, se enturmando e se apropriando da roda, integrando-se e incorporando-se a este núcleo pretérito de amigos e companheiros do samba e de vida.
Pois bem, o fato inusitado é que ao invés da roda se tornar um espaço de reencontro apenas, ela se tornou um momento para a constituição de novas amizades.

O Projeto de Samba Sibipiruna propicia todo o primeiro domingo de cada mês a possibilidade de novos encontros, novas relações e novas amizades. Muitos que na roda chegaram, não saíram mais, tornando-se grandes amigos, ajudando a construir todo o mês a nossa roda. Alguns exemplos são bem elucidativos: Maíra Sampaio, Douglas Garzo, Guilherme Lamas, Carla Vizeu, Rafael Yasuda, Thiago “Peixe”, Lilian, Flávia, Warner (Booke), Carlos Eduardo, Anisha, Alessandro, João Carlos Rocha, Simone Silva, Franco Villalta, Camila, Patríssia Kasai, Tatiana Rocha, e tantos outros que me fogem à memória.

Acredito, portanto, que a amizade e o espaço aberto e participativo de encontros e reencontros de pessoas queridas através do samba, uma das formas autênticas e tradicionais de sociabilidade em nosso país, seja a raiz mais profundo daquilo que passamos a chamar de Projeto de Samba Sibipiruna. Não que todos se amem, ou que não haja problemas em nosso projeto. Não é esta a questão. O ponto é que estas características são elos norteadores das nossa roda, mesmo que não tenhamos consciência plena disso. Pois é o que dá razão à sua existência através da nossa vontade de estarmos presentes naquela humilde roda.

Que este segundo aniversário do Projeto de Samba Sibipiruna seja um dia especial, que celebremos a amizade, agreguemos nossos semelhantes, superemos qualquer forma de segregação e opressão, conforme escrito na faixa exposta pelo primeiro casal “formado” na nossa humilde roda: Maíra e Douglas.


O Convite está feito, dia 06 de outubro, no bar Esquina 108, a partir das 15 horas, uma festa com direto a sambas autorais, capoeira e uma roda de samba super empolgante.