quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Encontros e Despedidas

Em 2013 o Projeto de Samba Sibipiruna presenciou momentos marcantes. Foram muitas rodas de samba, muitos homenagens, muitos sambas autorais de altíssima qualidade, muitos momentos de alegria, descontração, amizade e muita energia exalada dos corpos e dos instrumentos em movimento.

Tivemos o prazer de  homenagear grandes nomes do samba tais como Jovelina Perola Negra, Leci Brandao, Pixinguinha, Nelson Cavaquinho,  Paulo Cesar Pinheiro, Dorival, Jorge Aragão, Vinicius de Moraes, Mussum e os Originais do Samba. Também tivemos a honra de ter presente em nossa roda grandes sambistas da cidade além de grandes nomes do samba que não necessariamente tem o seu devido reconhecimento tais como o Seu Socrates dos Originais do Samba e o Mestre Toinho Melodia, da velha guarda do samba paulista.

Entre encontros e despedidas, 2013 vai ficar marcado também pelo descanso de um dos grandes nomes do samba raiz de campinas, Helder Bitencourt. Surdista de primeira, o nosso malandro HB deixará saudades a todos aqueles que tiveram o prazer e a honra de o conhecer e trocar momentos de conversas e alegrias.  A ele, a Sibipiruna  respeitosamente deixa sua homenagem e gratidão por agraciar nossas primeiras rodas de samba – ainda embrionária – com seus versos de primeira.



E que 2014 venha com muita energia para conseguirmos caminhar adiante na longa estrada que faz com que nossas vidas tenham sentido. Dificuldades virão!!!! Que tenhamos coragem para encarar os problemas de frente e agarrar a felicidade com unhas e dentes. Melhor ainda se regado a muito samba e alegria, pois, como diz mestre Candeia, “enquanto se luta se samba também ...”

Ate 05/01/2014 no mesmo local e no mesmo horário de sempre.   

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Mussum, Sócrates e os Originais do Samba


A primeira imagem que temos quando lembramos de Mussum, é de um dos integrantes mais engraçados do quarteto de comediantes que alegrava a nossa infância todo o final de domingo com peripécias e picardias, os Trapalhões. Poucos sabem, no entanto, que esse integrante negro, que representava a síntese irônica da malandragem suburbana, que tinha um linguajar próprio e adorava um “mé”, foi um dos primeiros integrantes de um dos grupos de samba mais famosos da década de 1970 e 1980, os “Originais do Samba”.

Nascido em 1941, no Morro da Cachoeirinha (Zona Norte do Rio de Janeiro), Antônio Carlos Bernardes Gomes (Mussum), antes de ser reconhecido artisticamente, foi ajustador mecânico, trabalhando por oito anos na Força Aérea Brasileira. Neste período aproveitou para participar da Caravana Cultural da Música de Carlos Machado.



Por sua vez, história do grupo “Os Originais do Samba” (anteriormente “Os Sete Modernos do Samba”) tem como origem a agregação de diversos ritmistas oriundos de diversas escolas de samba (inclusive Mussum). Depois de passar um período de ostracismo no Rio de Janeiro e no México, “Os Originais do Samba” passou a deslanchar nos últimos anos da década de 1960 em São Paulo, caracterizados pelo estilo particular de canto coral, vestimentas e uma leve dose de ironia em suas canções e comportamentos. Em 1968 acompanharam Elis Regina na apresentação da música vencedora da I Bienal do Samba, “Lapinha”, de Baden Powell e P.C. Pinheiro. Em 1969 o grupo “estourou” nacionalmente com a música “Cadê Teresa”, de Jorge Ben, tornando-se, a partir de então, um dos principais grupos de samba do país.

O comportamento irônico e engraçado esbanjado nas falas e atitudes de Mussum (apelido dado por Grande Otelo) atraiu a atenção de Wilton Franco, convidando-o a participar do grupo humorístico os Trapalhões ainda em 1969. Mussum dividiu a atividade de músico e humorista até o grupo começar a se apresentar na Rede Globo, ano em que deixou os “Originais do Samba”, seguindo uma carreira musical solo, com três álbuns gravados (“Água Benta” de 1978; “Descobrimento do Brasil”, 1980; e “Because Forever” de 1986).



Já o grupo “Os Originais do Samba” (grupo existente até os dias atuais) passou por diversas reformulações, tornando-se, no entanto, uma profunda referência estética dentro do mundo do samba, seja do ponto de vista rítmico, seja do ponto de melódico. Muitos grupos de samba-rock se inspiraram na estrutura e na dinâmica musical do grupo.

É importante frisar que dos integrantes da primeira formação (Bigode, Rubão, Lelei, Mussum, Chiquinho e Bidi) apenas o Bigode está vivo, participando ativamente das apresentações do grupo.
 Mussum, infelizmente, partiu muito cedo, em julho de 1994, aos 53 anos, deixando um legado artístico e cultural sui generis, constantemente relembrado e revivido pelas velhas e novas gerações.

Dentre outros ex-integrantes, queremos chamar a atenção especial para Francisco de Assis Silva Pereira, Sócrates, originário da segunda formação do grupo. Sócrates foi um grande sambista, além de violonista e compositor. Nascido em 1951, seu talento lhe rendeu mais de 500 composições e 200 canções gravadas por diversos artistas tais como Mato Grosso e Mathias, Paulo Sérgio, Carmem Silva, Ângelo Máximo, Nilton César, Os Originais do Samba, e outros, tendo um disco gravado em 1978, conhecido como “O Guitarreiro”.



Sócrates permaneceu no grupo “Os Originais do Samba” de 1993 a 2000, quando deixou o grupo por problemas de saúde. Ele também emplacou alguns sucessos tais como “Vamos decidir”, “Deixa eu poder te amar”, “Valeu”, “De corpo e alma”, “Indignado”. Hoje em dia, assim como tantos outros sambista e artistas brasileiros, Sócrates busca reativar a sua carreira musical através do reconhecimento do seu trabalho pelas diversas comunidades ao redor do Brasil.

Nada mais justo que o Projeto de Samba Sibipiruna homenageie todos aqueles que ajudaram a construir um dos grupos mais importantes do Brasil, em especial Mussum e Sócrates.

É com muito orgulho e respeito que convidamos a todos a presenciar a participação de Sócrates em nossa humilde roda. O convite está feito! Dia 01/12/2013, véspera do Dia Nacional do Samba, no Bar Esquina 108 (Rua Julia Leite de Barros, 108), a partir das 15 horas.

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Carta a Vinícius 2013

Por Thiago 'Peixe' Franco



Poeta meu Poeta Camarada,
 Poeta da Pesada do Pagode e do Perdão

Esse ano é de muitas homenagens e comemorações ao centenário do teu nascimento. Não que sejamos muito chegados nesses trem aí de protocolos, comendas, caviares e champagnes, mas já que é pra cantarolar umas canções e beber, não poderíamos estar de fora, né não?

Dentre as inumeráveis obras-primas que nos deixaste, escolhemos privilegiar as que imaginamos que combinam mais com o nosso sol escaldante de primavera-verão e com o tempero quente da Bahia que te encantaste com seus sabores e mitos. Enfim, umas musiquinhas que combinam mais com a batucada de nossa querida roda.

Lembraremos, claro, da bossa-nova e dos choros de flauta de Pixinguinha... Mas por falar em saudade, deixaremos aqueles versos dos bares de então – como que feitos com a própria lua – para nossas serestas pelas madrugadas adentro [Alô, povo Sibipirunense: assumamos esse agradável compromisso?!].

Nesse mais que perfeito domingo (que também é o dia do presente, por que não?) em que o teu Botafogo encara o calor de Goiânia comandado por um negro holandês (quem diria?), aqui nos cafundós do interiôrr de São Paulo – pra mor de tu morder a língua mais uma vez – estaremos reunidos de braços abertos em baixo de uma frondosa árvore (como aquelas que já moraram em nossos quintais) para beber, cantar e batucar a tua poesia que nos deu e nos dá tantos e tantos frutos.

Sem protocolos, sem comendas, sem caviar, sem champagne, nem gravata!

À benção, Poetinha, tu que também choraste em teus versos muitas das nossas dores de amor, Saravá!



Carta a Vinícius 2013

Por Thiago 'Peixe' Franco

Poeta meu Poeta Camarada,
 Poeta da Pesada do Pagode e do Perdão



Esse ano é de muitas homenagens e comemorações ao centenário do teu nascimento. Não que sejamos muito chegados nesses trem aí de protocolos, comendas, caviares e champagnes, mas já que é pra cantarolar umas canções e beber, não poderíamos estar de fora, né não?

Dentre as inumeráveis obras-primas que nos deixaste, escolhemos privilegiar as que imaginamos que combinam mais com o nosso sol escaldante de primavera-verão e com o tempero quente da Bahia que te encantaste com seus sabores e mitos. Enfim, umas musiquinhas que combinam mais com a batucada de nossa querida roda.

Lembraremos, claro, da bossa-nova e dos choros de flauta de Pixinguinha... Mas por falar em saudade, deixaremos aqueles versos dos bares de então – como que feitos com a própria lua – para nossas serestas pelas madrugadas adentro [Alô, povo Sibipirunense: assumamos esse agradável compromisso?!].

Nesse mais que perfeito domingo (que também é o dia do presente, por que não?) em que o teu Botafogo encara o calor de Goiânia comandado por um negro holandês (quem diria?), aqui nos cafundós do interiôrr de São Paulo – pra mor de tu morder a língua mais uma vez – estaremos reunidos de braços abertos em baixo de uma frondosa árvore (como aquelas que já moraram em nossos quintais) para beber, cantar e batucar a tua poesia que nos deu e nos dá tantos e tantos frutos.

Sem protocolos, sem comendas, sem caviar, sem champagne, nem gravata!


À benção, Poetinha, tu que também choraste em teus versos muitas das nossas dores de amor, Saravá!

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Dois Anos de Vida e Amizade !!!



Alguns não sabem, mas a roda de samba que acontece todo o primeiro domingo do mês no Esquina 108 é mais antiga do que o próprio Projeto de Samba Sibipiruna. Esta roda surgiu de um grupo de amigos que, em função do tempo e da distância, não tinham mais condições de se encontrarem para, através do samba, celebrarem as duas coisas mais importantes no mundo: a VIDA e a AMIZADE.
Tratava-se da necessidade de se criar no bairro onde a morávamos um espaço autêntico, alegre, aberto e de descontração para reencontrar e fortalecer os laços de camaradagem.

Neste sentido a roda de samba começou com a tentativa de agregar diversos grupos, personalidades e movimentos de samba da Região. Poderia citar como exemplo algumas pessoas Rafael Inácio Guilherme Fidelis (Casa Caiada), Ronaldo Gomes (Grupo Sem Tempo), Helder Bitencourt (Sinuca de Bico), Trovão Sambista, Família Pereira, Kurts Campos, Ramon, Chico Santana, Samuel Bussunda, Maíra Guedes, Diogo Nazareth, André “Tom”, Flávio Azevedo, André Lopes, Fernando “Sousa”, e alguns grupos e movimentos de samba tais como Saudosa Clotilde, Bateria Alcalina, União Altaneira, Pagode do Sousa, e assim por diante.

E como é de costume, alguns chegaram, outros se afastaram, alguns gostaram da ideia, outros teceram reticências. Tudo muito normal e tranquilo. Mas independentemente disso, o fato é que a roda de samba se tornou um projeto de samba e este projeto foi crescendo paulatinamente, a cada mês. Mais pessoas foram chegando, se enturmando e se apropriando da roda, integrando-se e incorporando-se a este núcleo pretérito de amigos e companheiros do samba e de vida.
Pois bem, o fato inusitado é que ao invés da roda se tornar um espaço de reencontro apenas, ela se tornou um momento para a constituição de novas amizades.

O Projeto de Samba Sibipiruna propicia todo o primeiro domingo de cada mês a possibilidade de novos encontros, novas relações e novas amizades. Muitos que na roda chegaram, não saíram mais, tornando-se grandes amigos, ajudando a construir todo o mês a nossa roda. Alguns exemplos são bem elucidativos: Maíra Sampaio, Douglas Garzo, Guilherme Lamas, Carla Vizeu, Rafael Yasuda, Thiago “Peixe”, Lilian, Flávia, Warner (Booke), Carlos Eduardo, Anisha, Alessandro, João Carlos Rocha, Simone Silva, Franco Villalta, Camila, Patríssia Kasai, Tatiana Rocha, e tantos outros que me fogem à memória.

Acredito, portanto, que a amizade e o espaço aberto e participativo de encontros e reencontros de pessoas queridas através do samba, uma das formas autênticas e tradicionais de sociabilidade em nosso país, seja a raiz mais profundo daquilo que passamos a chamar de Projeto de Samba Sibipiruna. Não que todos se amem, ou que não haja problemas em nosso projeto. Não é esta a questão. O ponto é que estas características são elos norteadores das nossa roda, mesmo que não tenhamos consciência plena disso. Pois é o que dá razão à sua existência através da nossa vontade de estarmos presentes naquela humilde roda.

Que este segundo aniversário do Projeto de Samba Sibipiruna seja um dia especial, que celebremos a amizade, agreguemos nossos semelhantes, superemos qualquer forma de segregação e opressão, conforme escrito na faixa exposta pelo primeiro casal “formado” na nossa humilde roda: Maíra e Douglas.


O Convite está feito, dia 06 de outubro, no bar Esquina 108, a partir das 15 horas, uma festa com direto a sambas autorais, capoeira e uma roda de samba super empolgante.  

sábado, 24 de agosto de 2013

Um salve ao ¨Moleque Atrevido¨: poesia, pagode e amor!


^^ E assim se fez (re)conhecido, por entre cabrochas e bambas, batucadas e palhetadas, nosso muito estimado ¨Moleque Atrevido¨, compositor sofisticado e de irrestrita sensibilidade e profundidade. Sua graça despontou na cena do samba quando gravado por ninguém menos que Elza Soares em 1976, catapultando aos nossos ouvidos sua singular veia poética e musical: surge, pois, nosso arrojado ¨Malandro¨. Berço do carnaval carioca, comentarista dos desfiles das escolas cariocas, o barbudo sorridente de ¨Cabelo Pixaim¨, difícil de se aturar, tivera seu primeiro álbum solo gravado em 1981 que leva como título seu próprio nome, alcançando um pouco mais de 20 discos.
Ex-integrante do Cacique de Ramos, estabelecera diversas parcerias com outros membros – deste famoso bloco carnavalesco que desfilava na Avenida Rio Branco, Rio de Janeiro – e hábeis partideiros das festivas rodas de samba ocorridas às quartas-feiras. Dentre outros, Almir Guineto, Bira Presidente, Neoci (filho do célebre compositor João da Baiana), Sereno, Sombrinha e Ubirany.
Em poucos anos, a nova batucada decorrente das rodas de samba caciqueanas em que Jorge Aragão estivera presente incorporou ingredientes temperados pela ausência de pré-conceitos comumente tradicionalistas; invenções de instrumentos percussivos inusitados (o banjo, por Almir Guineto, o tantã, por Sereno e o repique de mão pelo Ubirany) trouxeram uma nova roupagem estética às rodas de samba, abrindo terreno para o batuque brasileiro se comunicar, o pagode popular se firmar e recriar sua voz ativa, expressão poética espontânea e oriunda ¨Do Fundo do Nosso Quintal¨. E a tradição se refez, renovou sua ¨Coisa de Pele¨, propôs o diferente, alteridade a ser respeitada por quem chegou primeiro, inexorável correnteza que transcende e chacoalha as mono-definições da radicular ¨Identidade¨, fincada em estandartes dominantes da pureza do samba, certo ¨Abuso de Poder¨, podões dos corolários positivamente subversivos a certa ordem.
Assim, as canções “jorgeanas” brilharam, alçaram um destemido ¨Vôo de Paz¨ e conquistaram um inegável ¨Alvarᨠartístico, penetrando na vida musical de todos admiradores não discriminadores de samba no pagode ou de pagode com samba (ou será ao contrário?). Zeca Pagodinho, outra cria do Cacique, Beth Carvalho, Emílio Santiago, Alcione, Martinho da Vila flertaram, cortejaram e se entregaram a uma espécie de ¨Amor à Primeira Vista¨, singelo ¨Feitio de Paixão¨ com nosso homenageado do mês, gravando e regravando suas músicas.
¨De Sampa a São Luís¨, ¨De Paris a Irajá¨, rogos de preces ao poder de ¨Sanguiné¨, advento de ¨Novos Tempos¨, Jorge Aragão, um também ¨Adepto do Samba Sincopado¨, proporcionou deleitosas noites de ¨Reflexão¨ sobre ¨Guerra e Paz¨, sobre os meandros imperceptíveis e espaços irreconhecíveis no âmago dos corações: os sempre almejados e desbravados ¨Mistérios do Peito¨; desfibrilou a ¨História do Brasil¨, recitou o ¨Amor dos Deuses¨ ao pé do ouvido dos ¨Amigos... Amantes¨, estes ainda ¨Ontem¨ rediscutindo sua ¨Doce Amizade¨; quiçá afogando a ¨Sede¨ de paixões sobrescritas num simples ¨Papel de Pão¨, confessando por entre lágrimas e juras sua incorruptível ¨Ponta de Dor¨, embargando a voz e desejando obter, por intermédio divino, um ¨Resto de Esperança”. E ao longe, baixinho, ouvidos apaixonados buscando soluções e refletindo as consequências das ¨Loucuras de uma Paixão¨, na frequência mais antiga da ¨Faixa Nobre¨ de um ¨Tape Deck¨. Sonhos de que um dia seja remendada a ¨Colcha de Algodão¨, decifrado o ¨Teor Invendável¨ da apoteose daquele sempre inédito e misterioso ¨Enredo do Meu Samba¨.
Sua tonitruante voz reverberou quem sabe até mesmo no ¨Quintal do Céu”, deixou espectadores celestes ¨Chorando Estrelas” e amargando o fel de uma disparatada e ¨Fria Lição¨. Aquela desastrada e melancólica ¨Borboleta Cega¨, confusa sobre a ¨Tendência¨ de tal ou qual vento que lhe vem arrebatar o caminho, enganada pela ¨Quinta Promessa¨ da ¨Raiz e Flor¨. ¨Logo Agora¨? Quando mais se pensou que seríamos ¨Eu e Você Sempre¨?
Enfim, homenagem é homenagem, feita com amor e respeito embebidos daquela alegria comumente encontrada em rodas de samba. A ti, Jorge Aragão, as nossas energias e nosso axé! O senhor já foi, ¨Já é” e sempre será um fantástico compositor, e, em sensata conformidade com o movimento transformador da história, que continue sempre inovador e agregador do samba pagodeado ou pagode sambeado, o qual certamente não findou e não ¨Termina Aqui¨.^^

                                                                                                Por Fernando Roberti (Broke)

terça-feira, 16 de julho de 2013

Você já foi à Bahia? Não??? Então vá!

Eu tinha não mais que dez anos de idade quando escutei um vinil do Chico Buarque chamado “Paratodos”. A música título caminhava pelas suas principais referências musicais, citando em primeiro lugar ‘Antônio Brasileiro’ (Jobim, para os mais íntimos), em segundo, Dorival Caymmi: “contra fel, moléstia, crime, use Dorival Caymmi”. Minha mãe, explicava a importância de cada um dos nomes citados na canção e, anos depois, mostrou-me um dvd em que o mesmo Chico falava da importância de Caymmi para a música brasileira, dizendo que ele fazia uma música que, de tão popular, era quase de domínio público. Difícil de imitar. Numa época em que a imitação tem cada vez mais espaço, Caymmi é cada vez mais raro e autêntico.
Dorival Caymmi por Bob Wolfenson (1995)
Nasceu, cresceu e cantou a Bahia como poucos, muito embora tenha vivido no Rio e em São Paulo também. Cantor, compositor, violonista, pianista, bandolinista, também foi pintor talentoso, retratando em verso e tinta a ginga da capoeira, Samba, candomblé e das ondas do mar. E como é doce morrer no mar, as ondas de Copacabana testemunharam os últimos suspiros de Caymmi, aos 16 dias do agosto de 2008. Cinco anos depois de sua partida, o Projeto de Samba Sibipiruna vem prestar singela homenagem a esse grande bamba, referência obrigatória a todos que se prestam a falar de Samba ou Bahia.

Vai ser no dia 04/08/13, a partir das 15h no Esquina 108 (Rua Julia Leite de Barros, 108, Barão Geraldo, Campinas – SP). E pode chegar, sendo ruim da cabeça ou doente do pé, quem não se rende aos encantos de Dorival Caymmi, bom sujeito não é.